Crime

Júri de ex-policiais acusados de matar estudante em Imperatriz é marcado para julho

Testemunha afirma ter presenciado a abordagem da vítima pelos policiais e o momento em que Ivanildo foi colocado na mala da viatura.

Abreu e Smailly

Abreu e Smailly

A titular da 2ª vara criminal de Imperatriz, juíza Suely de Oliveira Santos Feitosa, marcou para o dia 24 de julho, às 8h, no Salão do Júri do Fórum da comarca, o júri dos ex-policiais militares Smailly Araújo Carvalho da Silva e Antonio Ribeiro Abreu. Pesam contra os réus as acusações de seqüestro, homicídio e ocultação do cadáver do estudante Ivanildo Paiva Barbosa Júnior, 19 anos. O crime, ocorrido em Imperatriz, data do dia 13 de setembro de 2008. Ambos os acusados se encontram presos.

Outro denunciado pelo crime, o pagodeiro Claudiomar Ferreira dos Santos, o “Claudinho”, foi julgado em 2009 e condenado a 16 anos de reclusão em regime fechado. Claudiomar  cumpre pena na Central de Custódia de Presos de Justiça (CCPJ), em Imperatriz.

Ivanildo Júnior desapareceu na madrugada de 13 de setembro de 2008, após sair de uma festa realizada no Parque de Exposições de Imperatriz. Consta da denúncia do Ministério Público que, por volta das 5h45, após deixar algumas amigas em casa, o estudante teria sofrido uma abordagem policial pelos denunciados, fardados, em uma viatura da PM, quando Ivanildo teria sido colocado pelos policiais no porta-malas do próprio carro. O corpo do estudante foi encontrado no dia 21 de setembro (oito dias depois), enterrado em uma cova rasa na Estrada do Arroz (Imperatriz), com uma perfuração de bala na nuca. Imagens de uma câmera de segurança de uma loja no local da abordagem levou à prisão dos acusados, que foram reconhecidos na filmagem.

Retilíneo – Para a juíza, “os indícios de autoria delitiva restam demonstrados por meio dos depoimentos prestados em Juízo, aliado ao interrogatório do denunciado Claudiomar, rico em informações, a demonstrar um alto teor de credibilidade, vez que se amolda, perfeitamente, ao conjunto das provas existentes nos autos”. Suely Feitosa classifica como “retilíneo” o depoimento do pagodeiro. Segundo ela, desde a primeira vez que depôs sobre o caso Claudiomar relata com “riqueza de detalhes como se deu o crime”.

Em interrogatório prestado em Juízo, Claudiomar afirma “que participou de alguns atos, mas não sabia que os demais acusados tinham intenção de matar Ivanildo. O interrogado garantiu que teria ouvido de Smailly, dias antes do crime, que o policial iria abordar alguém a quem pretendia extorquir e. O depoente conta ainda que, no dia do crime, foi acordado às 5h por um telefonema da Smailly, pedindo que ele fosse até Quatro Bocas (Imperatriz), onde Ivanildo se encontrava na ocasião, a fim de monitorá-lo até que esse se encontrasse em um lugar deserto. Smailly teria pedido ainda que Claudiomar levasse consigo uma arma, já que não poderia usar a que portava, pois pertencia à Corporação.

Claudiomar teria então ido ao local onde se encontrava o estudante, a fim de segui-lo. Em determinado momento, após o rapaz deixar uma moça que se encontrava no carro em casa, recebeu outra ligação de Smailly, quando informou ao mesmo que o estudante se achava só no carro, ouvindo do interlocutor: “Agora deixa comigo”.

Na época da prisão dos ex-PMs

Na época da prisão dos ex-PMs

Porta-malas – Continuando seguindo o carro, o pagodeiro garantiu ter presenciado o momento em que os policiais abordaram o carro do estudante, em frente a uma loja, quando teriam colocado a vítima no porta-malas da viatura. Nesse momento, afirma, recebeu outra ligação de Smailly mandando que os seguisse até a Estrada do Arroz.

Chegando ao destino, Claudiomar relata que os policiais tiraram a vítima do porta-malas. Abreu segurava Ivanildo por trás, abraçado ao pescoço do estudante com os braços, “como se o tivesse enforcando, ao mesmo tempo em que Smailly dava chutes no estômago do rapaz.

Retornando ao local com umas palhas que os policiais pediram que pegasse, viu Abreu pressionando o pescoço da vítima com a bota, enquanto Smailly, afastado, parecia falar ao telefone.

Os policiais teriam então transportado o corpo do estudante para um local que parecia uma grota. Na ocasião, como o rapaz parecesse respirar, Abreu teria batido na cabeça e nas costas do estudante com um cassetete. Como o rapaz continuasse vivo, Abreu teria solicitado a arma que encostou na nuca de Ivanildo, atirando.

No dia seguinte ao crime, Smailly teria ligado para Claudiomar informando que estavam no local cavando uma cova para enterrar o corpo da vítima.

Ferramenta  – Outra testemunha ouvida em depoimento afirma ter presenciado a abordagem da vítima pelos policiais e o momento em que Ivanildo foi colocado na mala da viatura pelos acusados. Os policiais teriam sido vistos, ainda, por uma terceira testemunha, em atitude suspeita, portando ferramentas tipo pá ou enxada, no local onde momentos antes teria ouvido um tiro. A presença dos policiais no local do crime foi relatada por outras testemunhas arroladas no processo.


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