Brasil

Premiação de PMs: a dispensa meritória e a austeridade do comandante

Premiações, inclusive em pecúnia (dinheiro, moeda) provém da Antiguidade, onde Nabucodonosor.

Por Milton Corrêa da Costa

O comando do Batalhão de Choque, da PM do Rio de Janeiro, decidiu conceder, a seus integrantes, conforme noticiado, quinze dias de folga e o direito a um final de semana na Ilha Grande, um aprazível recanto da Costa Verde do Estado do Rio de Janeiro. A recompensa tem por objetivo premiar quem efetuar a prisão –o prêmio não é como no Velho Oeste para caçar vivo ou morto- dois ou um dos dois perigosos traficantes que, após a prisão do bandido Nem, disputam a ‘chefia’ do comércio de drogas na favela da Rocinha, na Zona sul do Rio, até então considerado o Quartel General das finanças do tráfico na cidade, o ponto mais importante do refino e venda da cocaína no Rio, hoje ocupado por contingente da Polícia Militar, inclusive tropas especiais de combate urbano, até a futura implantação de uma Unidade de Polícia Pacificadora.

Nenhuma novidade na anunciada premiação. Premiações, inclusive em pecúnia (dinheiro, moeda) provém da Antiguidade, onde Nabucodonosor, Rei da Babilônia (622a.C.- 562 a. C.), já recompensava, em suas conquistas, seus soldados mais guerreiros e destemidos nas ações de combate durante as guerras. Durante séculos, até os nossos dias, recompensas e promoções por merecimento a por bravura a militares (regulamentos preveem ) e diferentes premiações a civis, constituem prática comum no mundo, recomendadas, de há muito, por profissionais da área de recursos humanos. É o incentivo natural a quem desempenhe, além da normalidade, suas atividades profissionais.Tais premiações são muito comuns, com forma de incentivo e disputa sadia, nas empresas, principalmente na área de vendas, destinadas aos empregados que se destaquem pelo maior número de negociações efetuadas e metas alcançadas, que obviamente trazem maiores lucros às empresas.

Na área de segurança pública não é diferente, existindo hoje, como estratégia da política de segurança pública do Estado do Rio deJaneiro, uma recompensa periódica a profissionais das chamadas Áreas Integradas de Segurança Pública,envolvendo Unidades Operacionais da PM e Delegacias Policiais, com premiações em pecúnia pelo alcance de metas pré-estabelecidas, na redução de tipos de delitos considerados estratégicos para a melhoria de níveis de segurança.

Louve-se, portanto, a importante inciativa do Comandante doBatalhão de Choque da PM do Rio, Coronel Fábio Souza, destacando-se inclusive a austeridade de suainiciativa em custear, do próprio bolso, a prometida recompensa com a estada de policias e um acompanhante, em pousada, para o gozo de um final de semana na localidade de Angra dos Reis. Obviamente que o nobre comandante torcerá para que, além da prisão dos procurados marginais da lei, poucos sejam os policiais -melhor seria um só- que efetivamente participem da prisão dos fora-da-lei. Menos dispendioso para o seu bolso. Caso contrário, seu orçamento mensal estará comprometido.

Fica, no entanto, o lembrete de que na ânsia da obtenção do merecido prêmio não se pode exceder dos estritos limites da lei e que técnica e equilíbrio são comportamentos indispensáveis ao desempenho da complexa e difícil missão policial militar. O ‘olho por olho, dente por dente’, não se aplica ao estado democrático de direito. A cabeça dos inimigos da sociedade, como no Velho Oeste, não está neste caso a prêmio.
Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


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