Brasil

O crescimento da telefonia celular e a estatística irreal de roubo

Não se imagina mais um mundo sem o celular - motoristas imprudentes contiunuam falando ao celular ao volante.

Por Milton Corrêa da Costa

Os aparelhos celulares, desde que foi implantada no país, há mais de 15 anos, a telefonia celular, chegam agora a cerca de 253 milhões de unidades já vendidas. Somente para os Dia das Mães o comércio vendeu, em todo território nacional, 6 milhões e 300 mil aparelhos. É como se para cada 10 habitanteshouvessem , hoje, 13celulares em circulação. É a impressionante aceitação de uma espetacular invenção que criou a ‘celular- dependência’. Uma de minhas filhas, por exemplo, tem quatro aparelhos. Eu, ainda resistente à modernidade das últimas gerações de sofisticados celulares, tenho apenas um modelo antigo. Diga-se de passagem que o celular, de acesso irrestriro hoje a qualquer classe social, à exceção dos que ainda morrem pela fome, tem o estranho poder de parecer nivelar socialmente seres humanos, pobres ou ricos. Ou seja, o que era privilégio e sofisticação, no início, da classe social mais elevada pelo alto valor de compra, agora é um charme de todos, pelo fácil acesso ao crédito, podendo ser pago em suaves prestações.

Não se imagina mais um mundo sem o telefone celular – alguns imprudentes motoristas contiunuam falando ao celular ao volante- cada vez mais sofisticados como o caso dos samartphones, num mercado mundial onde são garantidos milhares de empregos na produção e na comercialização de um aparelho que revolucionou e facilitou a comunicação entre os habitantes do planeta, sem falar na contínua fonte geradora de impostos para os governos. A ‘sociedade do ter’ sonha com aparelhos celulares e com TVs mais finas -cada invenção inquieta o consumidor e o mercado- como bens móveisde suprema necessidade, ainda que a telefonia fixa e a televisão tenham sequer ainda chegado a muitas regiões do mundo.

Neste contexto, da ‘celular-dependência’, também cresceram as estatísticas do roubo aos aparelhos. Não somente o dinheiro ou outro bem faz parte hoje da cobiça de ladrões ( caso de furto) e assaltantes (caso de roubo), mas principalmente o celular. Não há, praticamente, assalto a transeuntes, roubo de veículos ou em coletivos ( ónibus) sem que não se leve também o celular da vítima. Nos casos registrados em delegacias policias no Estado do Rio de Janeiro, no primeiro trimestre de 2102, foram 1141 os celulares roubados.Um número oficial do Instituto de Segurança Pública (ISP) porém irreal, partindo-se do princípio de que em parte das ocorrências de assalto ou furto em vias públicas ou em coletivos, as vítimas, desde que os documentos e cartões não vão juntos, não prestam queixa em delegacia policial, até por tratar-se de delitos de ação instantânea e de difícil investigação para identificação de autoria. Para a polícia mais fácil é tentar identificar as quadrilhas de receptadores de aparelhos roubados onde muito do produto do roubo é posto à revenda em bancas de camelôs (não cadastrados).

Registre-se que a vítima comparece à delegacia policial quando se trata de roubo do veículo, onde o celular também foi levado ou quando na ação delituosa também o documento pessoal é levado -quando só o celular e os cartões são levados nem sempre comparecem- ou no caso em que o aparelho esteja no seguro. Algumas seguradoras fazem o seguro principalmente dos aparelhos mais caros e de última geração e empresas de telefonia celular geralmente o seguro de seus aparelhos- rádio. Ou seja, o roubo de celulares também fazem as seguradoras faturar mais. É o efeito colateral ( positivo) da violência que enriqueceu muitos empresários gerando milhares de empregos no setor de segurança privada, também milhares de empregos na segurança pública ( cresceu o efetivo policial), empregos na mídia, nas editorias de polícia -vejam a concorrência de programas televisivos específicos- e no sofisticado mercado da tecnologia eletrônica de segurança residencial , bancária e de estabelecimentos, além da criação de mecanismos de auto-proteção pessoal como no caso das blindagens de veículos e da película não refletiva para os vidros de automóveis.

Salta aos olhos, no entanto, o fato de que, por exemplo, no primeiro trimestre deste ano, 5599 veículos foram roubados ( com ameaça ou emprego de violência) no âmbito do Estado o Rio de Janeiro e 1355 ocorrências de roubos em coletivos registrados , além de 13009 casos de roubos a transeuntes, onde apenas, em contrapartida, as estatísticas oficias apontam para 1141 os casos de roubos de aparelhos celulares. Das três uma: ou as ocorrências são quantificadas pelo delito de maior gravidade ou os assaltantes, na maioria dos casos, só visam o roubo do celular ( a carteira com o dinheiro e documentos sairam de moda) e a vítima não registra ou o roubo a celular só é quantificado, para fins estatísticos, em casos específicos que envolvam somente o citado bem móvel. Confesso que não entendi.

Ressalte-se , porém, que de qualquer forma, só saberemos a estatística real (somente aproximada), de roubos e furtos de celulares, no país, através dos números das seguradoras e das empresas de telefonia celular. Pelo registro policial apenas continuaremos sabendo o que foi registrado. Mas isso é outra história que prometo ao menos tentar pesquisar.

Que o seu sofisticado celular não seja vítima da cobiça do ladrão da próxima esquina. Caso ocorra lembre-se, no entanto, que sua vida vale muito mais que um aparelho celular, ainda que a toda a sua agenda pessoal se perca naquele momento.

Milton Corrêa da Costa é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro


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