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Os números provam que o governo mente

É esse número que o governo faz questão de vender como exemplo do sucesso econômico das políticas governamentais.

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

O governo brasileiro prevê gastar este ano de 2014, nada menos que R$ 2,3 bilhões de reais em propaganda. É isso mesmo, dois bilhões e trezentos milhões de reais na política de convencimento para inflar a candidatura da atual presidente da República, fazendo a população achar que vai tudo muito bem com o país.

Na véspera do Primeiro de Maio, com a desculpa de levar felicitações aos trabalhadores brasileiros sua excelência formou rede de rádio e televisão para anunciar correção na tabela do imposto de renda, a partir de 2014 e ainda um reajuste no programa social “Bolsa Família”, na ordem de 10% (dez por cento), numa clara medida destinada a compra indireta de votos nas eleições de outubro. Tanto isso é verdade que toda a mídia que orbita o poder que se beneficia da compra de votos, passou a dizer que os opositores do governo são contra o aumento no “Bolsa Família”. Começando a partir um debate de cunho eminentemente eleitoral.

Ainda, na rede de rádio e televisão a presidente tercei loas ao sucesso do seu governo e ao governo que a antecedeu, falando nos avanços redução do desemprego, etc.
Pois bem, no dia seguinte, dia do Trabalho, o IBGE divulgou sua tradicional pesquisa sobre a situação do emprego no país. E é aqui que chamo a atenção para a gravidade da situação que atravessa o Brasil.

O que disse o órgão? O IBGE disse que temos 6 milhões de pessoas em idade de trabalho ou seja pessoas que deveriam está trabalhando e não encontra trabalho. Beleza.

Considerando que a população total do país é de aproximadamente 200 milhões de habitantes, temos aí, numa conta simples, cerca de 3% (três por cento) de desempregados, um número de fazer inveja a qualquer nação desenvolvida do mundo.

É esse número que o governo faz questão de vender como exemplo do sucesso econômico das políticas governamentais.

Acontece que com esse número, veio outro que as autoridades governamentais nem ousam falar. Fingem que não existe. Pois bem, vamos falar dele. Junto com os 6 milhões de brasileiros que procuram emprego e não encontram existem mais 62 milhões de brasileiros que simplesmente desistiram ou não querem saber de trabalho regular para ganhar seu sustento e pagar, como todos os demais, a sua carga tributária direta. São pessoas que logo mais precisam de saúde, educação, previdência social, etc.

Ora, considerando ainda que somos 200 milhões de habitantes, temos, aproximadamente, 35% (trinta e cinco por cento) e não 3% (três por cento) como vende o governo de pessoas desempregadas. A situação fica um pouco mais complicada quando subtrai do total da população, os enfermos, os idosos que já deram sua contribuição ao país, as crianças e adolescentes. Se contarmos só a população economicamente ativa, aquelas pessoas em idade de trabalhar, veremos que temos uma minoria de pessoas trabalhando e uma grande maioria de pessoas que não trabalham ou por que não encontram trabalho ou por que simplesmente não procuram trabalho.

É essa minoria que sustenta o país e que contribui com os quase 600 bilhões de impostos já arrecadados só este ano para que o governo gaste em propaganda mentirosa, na compra de votos.

Acredito que não precisa ser economista para perceber que país caminha para uma situação não demorará a ficar insustentável. Não há como uma economia se sustentar com mais da metade da população vivendo às custas de uma minoria trabalhadora. Programas sociais que são necessários para retirar as pessoas da situação de vulnerabilidade, estão virando permanente – talvez isso justifique o grande número de pessoas que não procuram emprego formal, têm medo de perder as incontáveis bolsas – e daqui a pouco esses beneficiários poderão até a requerer aposentadoria sem nunca terem trabalhado. E por que não? Se o estado sustentou o cidadão a sua vida toda por que desampará-lo na velhice. O governo brasileiro cada vez mais, em busca de votos, de poder, vai colocando o país num atoleiro do qual terá enormes dificuldades para sair.

O crescimento do país é pífio, a infraestrutura não avança e o governo não me mostra competente para desatar esses nós. Em nome da busca incessante pelo poder se faz todo tipo de concessão, se tolera todo tipo de corrupção. O país ocupa desde o fim do ano passado a posição 72ª no ranking da corrupção. Outro dia foi divulgado que as contas externas apresentaram o pior resultado desde 1970. Ora, não há como comparar, pelo tamanho da economia de hoje e a dos anos 70 e ainda assim apresentamos resultado pior.

Enquanto isso se sucede as noticias ruins em todos campos, todos os dias noticias de corrupção envolvendo intocáveis cidadãos da República. A educação entre as piores do mundo. A saúde, não bastasse a situação de guerra nos hospitais, onde os pacientes ficam horas e dias à espera de um curativo ou de remédio que lhe alivie a dor, temos surtos de doenças que já deviam ter sido erradicadas desde os séculos pretéritos. Um exemplo disso é a dengue que ameaça diversas cidades brasileiras já sendo considerada epidemia em algumas.

Apesar de tudo, para as autoridades vai tudo muito bem. Não vai. O governo mente sobre a situação do país e logo após as eleições, ganhe quem ganhar, teremos desdobramentos desagradáveis para os que pagam a conta: eu e você.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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