Artigo

Lagrimas de madragoa

O vazio deixado jamais será preenchido. Todos terão que conviver com a perda. Se acostumar com o sofrimento e a dor.

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Nas minhas andanças pela baixada passei umas duas vezes pelo Povoado Madragoa, no Município

de Bacuri. Duas coisas me chamaram atenção: O nome da povoação, remetendo ao histórico e boêmio bairro lisboeta, às margens dos Rio Tejo, na nossa pátria-mãe além mar e uma igreja muito bonita e antiga, numa praça igualmente bela. Madragoa fica entre as cidades de Serrano do Maranhão e Bacuri, acho que um dos povoados mais antigos e próximos do Rio Turiaçu. Cheguei a pensar que talvez o nome se devesse aos conquistadores portugueses que aportaram no maranhão e passaram a conhecer o nosso território a partir daquele rio. O tempo passou e acabei esquecendo de investigar o assunto.

Agora Madragoa volta as manchetes dos jornais. Oito de seus filhos partiram quando ainda mal começavam a viver.

Não tratarei aqui, não neste momento, de investigar ou apontar o dedo aos culpados. Decerto que eles existem. Claro que merecem e devem responder, nos limites da lei, por seus atos, culpas e omissões.

Hoje tratarei apenas dos jovens, das poesias que fariam, dos sonhos que conquistariam. E eram muitos. Todos tinham conquistas a fazer. Conquistas que nunca serão concretizadas, sonhos perdidos…

O vazio deixado jamais será preenchido. Todos terão que conviver com a perda. Se acostumar com o sofrimento e a dor.

A bela Igreja de Madragoa por tantas vezes acostumada com seus cantos de louvor, seus casamentos, seus batizados, seus festejo da vida, terá agora que conviver com a dor incessante da perda. Seus sinos dobraram de felicidades tantas vezes, dobram agora pela dor, pela tragédia jamais imaginada. Uma tragédia que jamais sairá da memória.

A morte de jovens sempre me causou profundo pesar. Penso que eles ainda teriam tanto a viver, constituir suas famílias, ver crescer os filhos, brincar com os netos.

As mortes como se deram me causou muito mais pesar. Eram jovens que viajavam para estudar, submetiam-se as mais difíceis condições em busca do saber, do conhecimento. Buscavam a liberdade que só conquistam os que têm o saber. A tragédia fez tudo cessar e ao invés de conhecimento encontraram a morte.

Por isso que Madragoa está em lágrimas. Por isso os corações de Madragoa sangra. Tantos mortos num povoado tão pequeno é uma perda irreparável para a comunidade, cada uma das vítimas é parente de alguém, irmão, filho, primo, neto, amigo…

Madragoa chora seus mortos que partem em tão tenra idade como chorava a outra Madragoa quando seus filhos partiam para o mar em buscas de conquistas de novas paragens. Também buscavam conhecer, saber mais.

Quantos partiram lá?

Quantas lágrimas verteu Madragoa nos dois lados do mar?

Meu pesar, meus sentimentos que Deus conforte os que ficam que receba os que partiram.

Quando, ainda que seja num tempo de distante ouvir o “Fado da Madragoa”, feito em lá Portugal, lembrar-me-ei dos sonhos, das saudades e dor que passa o o povo da Madragoa de cá.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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