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Dino elege sua bastilha

Assim como na França daqueles idos pré-revolução, os luxos, os privilégios eram vivenciados no Palácio de Versalhes.

Por Abdon Marinho

Por meio de uma rede social e no calor dos acontecimentos da tragédia de Madragoa, em Bacuri, que ceifou a vida alguns jovens, o pré-candidato ao governo do Maranhão pelo Partido Comunista do Brasil – PC do B, elegeu como símbolo do atual regime maranhense, a Casa de Veraneio de São Marcos.

Assim como na França daqueles idos pré-revolução, os luxos, os privilégios eram vivenciados no Palácio de Versalhes, também residência de verão dos monarcas. Apesar disso o que sinalizou o fim do regime foi a queda da Bastilha.

A Bastilha, para os não se recordam, foi construída como mero portal de acesso ao bairro de Saint-Antoine, durante a guerra dos “Cem Anos”, entre França e Inglaterra, depois foi transformada em fortaleza destinada a proteger o lado leste de Paris. Por fim, transformada unicamente em prisão para onde eram mandados os inimigos do regime absolutista francês. Numa estranha coincidência, o primeiro rei a enviar prisioneiros para ela foi Luis XIII, que pelas razões que conhecemos, está ligado a história da cidade de São Luís e do próprio Maranhão.

A Bastilha caiu em 14 de julho de 1989, quando o povo a tomou abrigava somente alguns presos comuns e alguns doentes mentais. A queda da bastilha tornou-se a data nacional da França e a revolução desencadeada naquele dia, a chamada Revolução Francesa, um símbolo da luta por liberdade, fraternidade e igualdade ao redor do mundo.

O pré-candidato fala do luxo e privilégio dos palácios em contraposição a situação do povo relegado a abandono. Neste contexto a eleição é apresentada como “bastilha”, de onde, a partir de sua queda, da alternância que poderá ocorrer se porá fim aos privilégios palacianos.

Sob o título “Luxos, privilégios e políticas sociais”, o comunista escreveu:
“Enquanto tragédias se sucedem no Maranhão, o governo do Estado mantém gastos suntuosos absolutamente incompatíveis com a atual realidade maranhense.

Cito como exemplo uma mansão, na maior parte do tempo mantida fechada, localizada em área nobre e hoje extremamente valorizada. Trata-se da “Casa de Veraneio” da Praia de São Marcos, na nossa capital, vista de cima na foto que acompanha esta postagem.

Proponho que essa mansão seja vendida e o valor arrecadado seja integralmente destinado a uma política social, por exemplo uma UNIDADE DE SAÚDE DESTINADA A CRIANÇAS COM CÂNCER.”

Embora as declarações tenham se dado na informalidade das redes sociais não deixa ter significação.

O pré-candidato, propõe, acredito que logo que chegue ao poder, caso chegue, ressalte-se, que se venda um patrimônio público e que o valor arrecadado seja revertido para uma política social, que ele já até imagina qual seja.

Em principio não há que opor que o Estado do Maranhão se livre deste e de outros imóveis que possui e que só onera os cofres públicos com sua conservação.

Entretanto, isso serve como mera simbologia, talvez de um ritmo de austeridade que se pretenda implantar, pois na verdade o que se gasta na manutenção da Casa de Veraneio, apenas para aproveitar o exemplo cisado é ínfimo diante da sangria que ocorre noutros setores da administração pública.

Acho, por exemplo, que não passa de tolice dos líderes oposicionistas reclamarem que a governadora comprou alguns quilos de camarão ou lagosta por alguns reais ou que comprou tomate em demasia e muitos molhos de cheiro-verde e nada dizerem ou saberem dos milhões de reais que são desperdiçados ou desviados em diversos canteiros de obras espalhados pelo Estado.

Vigiam a cozinha do Palácio dos Leões e ignoram o que se passa nas Comissões de Licitações. Não me parece razoável.

Outro dia, num dos comerciais do governo, foi noticiado que dia tal, acho que um sábado, foi feita a fiscalização de determinada obra pública. Ora, fiscalizar obra pública é algo tão extraordinário a ponto ser noticia de comercial? pior que o governo anunciar isso como feito é que ninguém da oposição parece perceber esses despautérios.
Não é de se estranhar que as obras públicas maranhenses sejam motivo de piada por todo país. De tão mal feitas, antes de se retirar as placas de anunciação já estão pedindo reparos. Isso no Maranhão todo. Já citei mais de uma vez o exemplo da MA 204, que corta ilha, feita e refeita outro dia, antes de aparecer no comercial já tem pontos, praticamente, intransitáveis. Assim é a MA 201 (estada de Ribamar) que todo ano causa congestionamentos quilométricos sem que o governo consiga resolver o eterno problema dos buracos. Não se sabe se por incompetência ou porque tem alguém ganhando por trás do sacrifício dos trabalhadores que gastam até três horas entre o Maiobão (Paço do Lumiar) e o centro de São Luís.

Assim são inúmeras obras já iniciadas esse ano que não avançam e onde dizem que estão fazendo algo a qualidade não existe. O governo do Maranhão joga dinheiro público na lama. Quer dizer na lama e no bolso de alguns espertalhões.

Medidas de austeridade, como a que pretende implantar o Sr. Dino, caso eleito, são bem-vindas e necessárias, entretanto, existem inúmeros outros pontos de sangria dos cofres públicos que não podem ser ignorados. São obras, são dezenas de alugueres pagos para o funcionamento de repartições públicas e ninguém parece ver. Muitas repartições públicas estaduais hoje funcionam em prédios alugados na Avenida dos Holandeses. Quando poderiam funcionar no prédios abandonados do centro da cidade.

Outra solução seria a ampliação do centro administrativo com a construção de novos prédios e não o pagamento de milhões em alugueres.

Num país em que os governos já tiraram dos cidadãos quase R$ 600 bilhões de reais em impostos, é alvissareiro que se fale em medidas de austeridade, mas que essas não venham como disfarce a outros desperdícios ou desvios.

Tempos atrás o governo anunciou que iria se desfazer de sua frota de aviões, que era cara a manutenção, etc. Venderam tudo. Ao que se sabe, hoje se gasta com o aluguel mensal de aeronaves, seria suficiente para comprar uma aeronave ou mais a cada mês. Trata-se de um excelente negócio, para os locadores, claro. Esse tipo terceirização é outra fonte de sangria para o Estado. É como você, cidadão que está lendo esse texto e morasse de aluguel, pagasse todo o mês o valor do imóvel que loca.

Junto com a venda dos imóveis onde impera o luxo é bom que os candidatos, todos eles, proponham auditoria de todos os contratos do Estado. fazer um levantamento e divulgar para os cidadãos o vem sendo feito com os recursos públicos.

Acredito que com isso saibamos quais as razões das nossas tragédias e quem sãos os beneficiários delas.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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