Artigo

Uma copa de problemas, engodos e corrupção

Nos últimos tempos, como já se sabia desde sempre, a imagem que temos das principais cidades da que serão sedes dos jogos.

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Os megalomaníacos do Brasil quando vendiam as maravilhas que nos trariam os grandes eventos como a Copa da FIFA de 2014 e a olimpíada Rio 2016, diziam que seria o melhor que poderia acontecer que seria o cortamento do êxito brasileiro diante do mundo, que a sociedade por conta das obras para os eventos, receberiam o um legado extraordinário, que o dinheiro público só iria custear as obras de infraestrutura.

Estamos há pouco mais de um mês da copa, pouco mais de dois anos dos jogos olímpicos. Nos últimos tempos, como já se sabia desde sempre, a imagem que temos das principais cidades da que serão sedes dos jogos são imagens de país em franca guerra com as autoridades sendo derrotada pelo crime organizado em todas as frentes.

O Rio de Janeiro, a principal cidade dos eventos é o retrato acabado disso. A impressão que se tem, ao menos pelas imagens da violência, o som dos rotineiros tiroteios, é que a cidade entrou em guerra civil. São imagens que ganham o mundo revelando o que de pior temos a oferecer.

Se a intenção das autoridades era mostrar a nossa pujança, o fracasso é de dá pena. Os recursos públicos investidos nas arenas, como prometeram que não fariam e a falta de investimento em setores vitais, estão sendo exibidos no momento para todo o mundo. Não só não fizeram as obras de mobilidade, o que tornará a vida dos turistas um inferno para chegar aos estádios, como descuidaram além do razoável dos demitas setores. A saúde pública em quase todos os estados e municípios brasileiros submete os cidadãos a uma situação de sofrimento inaceitável. São pacientes nos corredores, espalhados em macas, cadeiras e mesmo no chão. Quando a população clama pelo padrão FIFA em diversos setores dos serviços públicos é porque começa a se dá conta que o governo não fez nada do prometido e ainda deixou de fazer o dever de casa. Às vésperas do país ser inundado por milhares de turistas, se ver pacientes sendo atendido dentro de banheiros, se ver cidadãos ficando 8, 10, 12 horas nas filas à espera de um atendimento médico. Isso quando conseguem, pois muitas vezes são devolvidos para casa sem que consiga ser atendido, até em um simples curativo. Vi num destes telejornais a história de uma paciente que foi chamada para fazer uma ressonância magnética. Tudo perfeito, tudo maravilhoso se o médico não tivesse requisitado o exame há sete anos. Esse é o Brasil pujante que querem exibir ao mundo?

Em todas as estatísticas sobre a violência, Fortaleza(CE) e Salvador (BA), duas outras sedes da copa aparecem como as mais violentas do mundo. Entre as trinta mais violentas. Em recente paralisação de policiais na cidade de Salvador os homicídios chegaram a média de 37 por dia, sem contar os saques as lojas, a destruição do patrimônio público. Não são todos os países em guerra, nem nos recônditos mais atrasados a atingir esses números que um dos mais conhecidos centros turísticos do mundo alcançou. E, são todas as cidades brasileiras nesta situação. Natal (RN), outra sede de copa, não fica muito atrás. Isso só para ficar nos exemplos mais próximos.

Em todos os lugares começa a imperar o exercício da justiça com as própria mãos.
Tem virado uma rotina macabra as noticias sobre linchamentos. E essa rotina não é apenas em pontos isolados, ela ocupa o pais inteiro. É como se o país estivesse de volta à barbárie.

Voltemos ao Rio de Janeiro. Há pouco mais de dois anos para sediar a olimpíada de 2016, o Comitê Olímpico Internacional (COI), começou o monitoramento diário das obras, o vice-presidente do órgão em declarações recentes que nunca as obras de uma olimpíada estiveram tão atrasadas. E como já disse em textos passados, acredito que não concluam a tempo dos jogos. Na verdade, acontecerá a mesma coisa que vem acontecendo com a copa, onde até os estádios – nem se fale nas coisas que interessam ao conjunto da população –, ficaram prontos, entregaram a FIFA estádios inconclusos, e que segundo o secretário-geral da entidade só ficarão prontos no último minuto.

Resumo da lambança gastaram rios de dinheiro – que muito faz falta na saúde, na educação, na infraestrutura, na segurança pública –, não entregaram nada do que prometeram e o país ainda passa esse vexame todo.

A violência só não alcançará índices mais assustadores durante os eventos por que os traficantes não querem que seus negócios sejam prejudicado. Estejam certos que quem garantirá a segurança dos turistas no Brasil não será o governo instituído e formal, será o comando paralelo, formado por traficantes e outros criminosos, que se prepara para lucrar quase tanto quanto a FIFA com o tráfico de drogas, a exploração de outros negócios criminosos.

O governo brasileiro tanto fez, tanto descuidou de suas responsabilidades que a realização de grandes eventos têm que contar com o pacto tácito entre autoridades e bandidos para que aconteçam. Durante os eventos as autoridades não ousarão meter a cara em lugar algum que possa atrapalhar o negócio do tráfico. Só assim, com a leniência, com a vistas grossas ação do crime – e não duvidem que façam outras concessões –, para conseguirem realizar esses eventos com um mínimo de tranquilidade.
A população só vendo a parte plástica das emissoras de TV, que também faturam com os eventos, passaram dias e dias só mostrando as coisas belas do esportes. Nas ruas, nas periferias o império do tráfico continuará dando as cartas, nos hospitais as pessoas continuarão a padecer o mesmo sofrimento de sempre.

Mas o que esperar de governos que tem como chefes os doleiros, bicheiros e empreiteiros?

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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