Artigo

Um país de absurdos

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Não há como não sentir desgosto diante de certos fatos que acontecem no Brasil e que, de tão rotineiros, todos fingem não existirem.

Nesta semana foi divulgado que o nosso país é o oitavo do mundo em número de analfabetos adultos. Vejam, entre as mais de duzentas nações existentes, o Brasil ocupa a oitava posição em número de analfabetos, possuindo uma população de pessoas que não conseguem se expressar pela escrita, superior a população de muitos países. Ainda assim aparece um burocrata, falando em nome do governo para dizer que tudo vai indo muito bem.

Se numa ponta temos milhes de brasileiros que nunca conseguiram decifrar e usar os sinais gráficos da escrita para se comunicar, temos na outra um número ainda mais mais assustador (outro dia fale disso por aqui), o número de universitários que saem da universidade analfabetos alcançou espantosos 4% (quatro por cento).

O números vão sendo divulgados e as pessoas parecem não atentar que estamos falando do nosso país. Começam a achar que a situação em que nos encontramos é normal. Que estamos todos muito bem, obrigado.

Ontem mesmo, em um dos noticiosos foi divulgado que uma grande parte do nordeste ainda amarga uma das maiores secas dos últimos sessenta anos. Ninguém parece se importar com isso. Em muitos locais as pessoas bebem água que até os animais refugam, por não terem outra. A indústria da seca continua rendendo lucros aos que vidm da miséria alheia. Se recursos são disponibilizados para minorar esses problemas, estes não chegam na outra ponta e não há responsabilização nenhuma por isso.

Será que ficou no esquecimento a promessa do governo de entregar as obras de transposição do Rio São Francisco desde 2012?

A obra já consumiu quase o dobro do orçamento original e o pouco que foi feito o tempo destruiu porque era de péssima qualidade. Acho que hoje não se tem mais previsão de entregar a obra. Enquanto isso o sertanejo continua experimentando toda sorte de privação e ainda agradecendo aos governantes pelas migalhas que recebe. O próprio rio, que irrigaria o nordeste através dos canais, apresenta sinais de exaustão porque nada ou quase nada tem sido feito para recuperá-lo e aos seus afluentes. Em diversos pontos, no período de estiagem, como agora, não é possível navegação.

Assim a riqueza do país vai indo pelo ralo. Obras não feitas que vão custando o dobro ou mais para serem concluídas.

O Brasil não vem sendo pensado para o futuro, o que impera é a lógica da urnas. Os governantes fazem todos os arranjos possíveis para garantir, não uma sustentação política e apresentar projetos que façam o país avançar, mas sim, sustentação eleitoral. Só se foca resultados eleitorais. As benesses, o enriquecimento dos políticos. Qualquer um que fizer uma análise apurada e real sobre o patrimônio dos nosso políticos, haverão de impressionar-se com o quanto que prosperaram enquanto exerceram mandatos e ocuparam cargos públicos.

Achamos isso normal. Assim como achamos normal que o interesse público fique submetido ao interesse particular do governante e dos seus apaniguados.

Nesta mesma semana leio que um dos condenados pela Justiça brasileira, por graves crimes, diga-se de passagem, Sr. Delúbio Soares, em menos de uma semana, arrecadou, mais de um milhão de reais para o pagamento de suas multas. Solidariedade de seus companheiros de partido, dirão. Será? Será que não são recursos públicos migrando indiretamente para as contas dos condenados, através do aparelhamento do Estado que instituíram? Nunca saberemos. Mas já sabemos de uma coisa: a mesma solidariedade que esses generosos companheiros mostram com criminosos condenados, não demostram com os sertanejos que estão passando fome e sede por conta de sua incompetência e inércia. Nunca ouvi dizer que tenham arrecadado ou feito qualquer campanha para minorar os efeitos da seca. Pelo contrário, fingem que ela não existe. Mais que isso, apostam na ignorância do povo, na generosidade das pessoas, que esmagadas pela miséria, são agradecidas pelas esmolas que recebem.


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