Artigo

Democracia e Liberdade

Por Abdon Marinho

Advogado Abdon Marinho.

Advogado Abdon Marinho.

Uma das coisas que não consigo entender é porque as autoridades, as nossas autoridades, e acredito que noutros estados ou países, têm tanto medo da crítica. Não toleram uma opinião divergente que seja. Parece-me que quando alcançam o poder celebram um acordo com o pensamento único e não admitem sequer que os cidadãos emitam, ainda que, como opinião pessoal, uma ideia que destoe do pensamento do poder.
Não imaginava que a intolerância ao pensamento discordante fosse, em pleno século 21, ainda tão presente.

Desde que voltei a escrever tenho percebido que ainda vivemos, neste quesito, liberdade de expressão, como nos tempos passados. Vez por outra alguém vem e me diz: Fulano no governo do estado não gostou do que você escreveu; sicrano na prefeitura ficou chateado com sua opinião sobre aquilo; Beltrano ficou puto com o que dissestes de tal liderança ou partido; Ixe, essa sua opinião sobre essa ou aquela atividade do judiciário ou sobre aquela decisão desagradou muita gente.

Alguns amigos, dizem: “Abdon, fica ‘na tua’, isso não é da nossa conta. Suas opiniões vão lhe prejudicar tanto na vida pessoal quanto profissional”. Outros ainda dizem para falar mais só contra um lado. Mas o outro lado é infalível? Indago.

Fico imaginando. Como é possível dizer que vivemos numa democracia se as autoridades, quaisquer que sejam elas, cultivam tanto desapreço pela liberdade de opinião dos seus cidadãos? Pior que isso, como podemos dizer que vivemos numa democracia se os cidadãos, titulares absolutos do poder, não se acham ou não se sentem livres, para discordar dos seus governantes ou até mesmo de suas lideranças que não estão no poder? Será essa a democracia sonhada desde os primórdios dos tempos? Acredito que não, pode ser tudo, menos uma democracia.

Uma democracia, por assim se dizer, pressupõe o debate livre de ideias entre os cidadãos. Permite o debate respeitoso entre os contrários. Permite a críticas de cidadãos a governos, instituições e até mesmo a outros cidadãos. Numa democracia, as pessoas não são infalíveis, por isso mesmo ninguém está acima do bem ou do mal. Por isso mesmos todos estão sujeitas e aprovam conviver com opiniões divergentes.

Uma democracia não pode ser fundada unicamente na suposta liberdade dos cidadãos escolherem livremente seus governantes. Ela pressupõe a participação de toda a sociedade na administração do estado. Quando nos dirigimos as urnas e na solidão das cabinas de votação escolhemos esse ou aquele governante, estamos escolhendo apenas o condutor e não o “dono” da condução, alguém com poderes divinos que não se sujeita a qualquer crítica.

Mudanças efetivas passam pela concepção do tipo de sociedade que queremos. Uma sociedade efetivamente democrática tem como pilar principal a ideia de que todo e qualquer cidadão tem o direito de ter sua opinião respeitada, que não há hierarquia entre os cidadãos e que as autoridades, assim como qualquer outro cidadão está sim, talvez até mais que os outros, sujeitos as críticas dos demais.

Sempre me pergunto em que se sustenta a ideia de que o presidente, governador, o prefeito ou um magistrado não pode ser criticado por uma atitude, posição e até decisão? Onde foi escrito que são infalíveis? Quem lhes deu o poder de nunca errar? Porque não se sujeitam a críticas? Deus? Não, ninguém.
Em pleno século 21, ainda convivemos com essa ideia medieval de que as autoridades são infalíveis, que não podemos critica-las, que um édito governamental, uma sentença ou um acórdão estão imunes a críticas dos administrados ou jurisdicionados. É como se tivessem virados deuses. Uns até se acham melhores que isso, se acham professores de Deus, tal a arrogância e a soberba. Vejam que até a palavra ideia mudou (antes tinha acento), entretanto a ideia de que as autoridades estão imunes a críticas, não. Pelo contrário, o surto autoritário se estende até aquelas pessoas que não são autoridades, que não foram eleitas ou que não exercem qualquer poder, ainda que por delegação, do Estado. Se estende aos detentores do poder econômico. Assim, o país caminha cada vez mais rápido para se tornar uma ditadura, onde os poderosos podem tudo sem se sujeitarem a quaisquer questionamentos. O povo, cada vez mais pode menos. É isso que queremos? Foi para isso que tanto lutamos? Costumo dizer que mudança alguma para ficar igual serve. Uma mudança só serve, efetivamente, se romper com esses paradigmas.

O que mais preocupa, é que essas autoridades, são na maioria das vezes, pessoas cultas, estudadas, tiveram a chance de frequentar as melhores escolas, entretanto agem como tiranos medievais no que se refere a lidar com opiniões contrária. Na outra ponta, temos uma sociedade que, acovardada, acham que estão certos, e que não estão mesmo sujeitos a qualquer admoestação por parte dos cidadãos. Há ainda os que acham que se é “do nosso” lado pode tudo, do outro que não. É assim que iremos construir uma democracia? Uma nação que respeite os cidadãos no que há de mais essencial que é sua liberdade de expressão e opinião?

Os governos e demais autoridades, já gastam verdadeiras fortunas com propaganda dita institucional, que na maioria das vezes, só servem para “encher” a bola dos donos do poder, e ainda assim, não aceitam que um cidadão, sem recursos e sem os meios que sequer se assemelhem ao poderio que possuem, diga o que pensa. Me respondam, isso lhes parece razoável?

Infelizmente, e cada vez mais, muitos acham isso normal. Muitos entendem que é normal os poderosos perseguirem cidadãos que cometeram o “crime” de discordar deles, poderosos, que tiveram a ousadia de dizer que essa ou aquela atitude estava errada, equivocada ou que não se amoldava ao que ele, cidadão, entende como correto.

Precisamos refletir sobre esses fatos. Sobre o que vem acontecendo na nossa sociedade e lutarmos com mais afinco para fazermos do Brasil e do Maranhão uma verdadeira democracia.

Todos os dias ouvimos falar em mudança, reforma, etc. A grande mudança, a grande reforma que devemos ter é mente é aquela que modifique o modo de governantes e cidadãos pensarem. Pensem sobre isso.


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Um comentário em “Democracia e Liberdade”

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  1. Gutemberg Lopes.

    CONCEDER OPÇÃO ENTRE SEXO(fonte de Vida) e SODOMIA(vicio) é fazer JUSTIÇA!

    A inteligência, Conhecimento, Sabedoria, Imaginação estão fundamentados no SEXO a fonte natural da vida gera ciência tem ancora na adoração única vida, respeitar VIDA o Deus em todos.

    Os mistérios, mistificação, Rituais, Ilusões, estão fundamentados na SODOMIA(penetrar no ânus), raiz sobrenatural gera utopia, tem ancora adorações diversas, MAGIA NEGRA e doenças.

    A SOLUÇÃO DO BRASIL SE QUISEREM???!!! É divulgar nas escolas para os jovens o texto: “NÃO EXISTE “SEXO ANAL”, PENETRAR NO ÂNUS DE MULHER OU HOMEM É SODOMIA VICIO QUE GERA AS DIVERSAS DOENÇAS, VIOLÊNCIAS SADOMASOQUISTAS, OMISSÃO, PIEGUISMO”.

    Após a divulgação do texto acima os jovens terão o direito de escolha entre fazer SODOMIA que é Vicio ou fazer o SEXO que é fonte da Vida. Conceder este direito, opção é fazer Justiça.

    Pra saber mais sobre como por EDUCAÇÃO ter PAZ e SAÚDE, que é base da SEGURANÇA, vá ao site youtube, busque: CONHECIMENTO DA VIDA PARTE 1, depois 2,3 e 4. Depois se salve.

    O Brasil precisa URGENTE desta opção entre fazer SEXO e ou VICIO, porque o SEXO, gera VIDA! Os Vícios com raiz na Sodomia, geram as doenças: física, química, fisiológica e biologias.

    O Sen. José SARNEY, TEM MUITOS INIMIGOS, com alguns argumentos procedentes, mas é inegável que foi ele o PAI da democracia no Brasil e por isto não vai apoiar a raiz da omissão.

    Com certeza se o Sen. Jose SARNEY, não apoiar divulgação do texto acima nas escolas, por seu viés democrático, não vai lutar contra o direito de Opção entre SEXO e VICIO no Brasil.

    Que venha a PAZ! que gera a SAÚDE!

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