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A ideia de uma Assembleia Nacional foi desvirtuado para uma reles tentativa de iludir o povo com uma suposta reforma política.

Por Abdon Marinho

O governo brasileiro parece assessorado por uma cambada de idiotas, despreparados e incompetentes. Aliás, o governo não consegue ser competente nem nas suas incompetências. É isso mesmo são incompetentes até em serem incompetentes. Se é que isso é possível.

Não vamos muito longe, em menos de duas semanas o governo deu provas de total falta de sincronia com os acontecimentos. Logo no começo das manifestações tivemos as decorações desastrosas dos ministros da Casa Civil e da Justiça. Com suas declarações, usaram a velha tática de apagar incêndio com gasolina. Tudo porque queriam cabalar uns votinhos. Cuspiram para cima e Brasília tornou-se uma praça de guerra na quinta-feira passada.

Podiam ficar nisso. Não ficaram, preferiram expor a presidente da República ao vexame de um pronunciamento a nação, cujo teor, antes que terminasse de ser exibido já era contestado de norte a sul do país. Não se tratou de contestação ideológica ou de posição política, presidente apresentou dados falsos, incompletos e com razão foi chamada de mentirosa pela turba. Um final de semana para refletir e respeitava-se respostas para a sociedade, algo assim. A presidente convocou todos os governadores e prefeitos de capitais, diante de todos convocou um pacto pela nação. Lançou cinco pontos, todos mais para frente, uma forma saudável de enganar a patuleia. Ainda assim, mais uma vez, revelou-se o desastre.

Os pontos do pacto começou a ser questionado ainda ontem. E não foi apenas pela oposição. Os governistas criticam. O ministro da justiça já diz que algum será revisto. Nem falarei do mérito deles agora, tratarei noutro momento.
Me expliquem como é possível a presidente da República lançar um pacto diante de toda a representação da federação e já no dia seguinte se dizer que vai se rever, que não é bem isso? Como meus amigos, estamos falando da República Federativa do Brasil ou de Saramandaia, a antiga Bole-Bole da ficção? Estão brincando com a população? Temos um grupo de aloprados no poder?

O vice-presidente diz que a Constituinte proposta é “inviável”, o ministro da justiça diz que o governo cogita recuar. Onde estamos? Estão todos loucos?

Um dia se lança cinco metas. No dizem que serão só quatro. O que aconteceu? Neste realismo que parece além do fantástico, podem simplesmente dizer que mudaram porque o Lula só poderia contar na mão até quatro, e ficaria tudo por isso mesmo.

Meus amigos, não parece, mas estamos falando da Presidência da República. Essa onda de desacerto não pode ser considerada como normal. A Presidente não pode vir a público e dizer uma coisa num dia e ser tida por mentirosa no dia seguinte ou dizer algo e recuar no dia seguinte. Governar é coisa séria, não comporta esse tipo de experiência, esse tipo de bizarrices.

A ideia de uma Assembleia Nacional Constituinte foi desvirtuado para uma reles tentativa de iludir o povo com uma suposta reforma política. Precisaríamos de uma constituinte para reformar o estado. O Brasil possui maturidade suficiente para isso. O governo não quer isso. A proposta que dizem, agora ser apenas uma cogitação, tratava-se de um mero arremedo, uma cortina de fumaça das desviar a atenção.

A impressão que fica é que a presidente está cercada de energúmenos que não possuem qualquer capacidade para poupá-la de tantos vexames públicos. Como é possível sugerir algo a presidente, fazê-la se comprometer com toda aquela empáfia diante de todos os governadores e hoje dizerem que não é bem isso? A presidente não pode ser submetida a esse tipo de coisa, a esse tipo de constrangimento, a esse tipo de vexame, fica muito feio para sua imagem e para a imagem do Brasil mundo a fora.

Depois de tudo isso uma coisa é certa, fazia tempo que o governo não abusava tanto do direito de errar. Resta saber é por quanto tempo mais iremos agüentar essa experiência, que só num mundo irreal poder-se-ia chamar de governo.

Abdon Marinho é advogado eleitoral.


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